Seguidores

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Noite de autógrafo do meu livro de contos


Comunicado aos meus leitores!

Dia 15/12/2010 foi a noite de autógrafo do meu livro “Do anonimato ao estrelado” da Coleção Immaginare editado pela Madio Editorial. O evento foi na Casa das rosas a Av. Paulista em São Paulo – Capital.

Leia a resenha da obra:

Uma das qualidades deste livro é o dinamismo da narrativa e o humor. As histórias são muito divertidas, no entanto, não deixa de também abordar algumas manifestações claras ou implícitas do sentimento de desespero do ser humano para conquistar ou reconquistar a mulher amada.

Em função da forma apresentada pelo autor, a leitura flui com animação e graça. Os textos relatam desde uma brincadeira amorosa, em um modelo de carta formal, bem como com a gramática da Língua Portuguesa, passando pelas peripécias dos animais domésticos até o chegar causos sertanejos com o matuto do sertão João Carcule.

Este livro se apresenta como uma grande oportunidade para o leitor dedicar seu pouco tempo de lazer na leitura e se deliciar na medida em que se encontre com a imaginação de uma criança. Saberá sobre a ISO 9000 pra cachorro, lerá algumas reflexões sobre os marginalizados e também conhecerá as brincadeiras feitas com algumas letras de melodias de autores conhecidos como João Bosco, Roberto Carlos, entre outros da música popular brasileira. Nem o famoso Camões escapou desta humorada brincadeira. Todas as narrativas são contadas numa linguagem simples e ágil.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Premiação do concurso: Contos: a arte em palavras

Madio Editorial

Prezado Autor

Ademar oliveira de Lima

A noite de lançamento do livro do Concurso “Contos: a arte em palavras”será no dia 15 de dezembro de 2010, na Casa das Rosas, localizada na Avenida Paulista, 37, Bela Vista - São Paulo, das 19:30h às 21:30h.

**************************************************************************

Eu convido a todos os meu leitores para essa festa de lancamento do Livro " Contos: a arte em palavras" no qual fui classificado em primeiro lugar com o conto"Solteiros morrem na igreja"

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Saiu o meu livro de poesia : Veja

A contenda: Coração x Razão

Por: Sartório Wilen

A obra é uma manifestação de um eu multifacetado pelo mundo moderno que ao olhar a realidade pautada pelos seus sentimentos, como câmera fotográfica sai disparando imagens poéticas para todos os lados e cantos do seu interior e da sua realidade. Também passa pela reflexão sobre o labutar do artista com a palavra, na medida em que relata o sofrimento e o prazer de escrever. Abre o seu coração também para discutir a própria incapacidade do código linguístico de expressar totalmente a realidade e os sentimentos do ser humano.


Autor: Sartório Wilen Tema: Poesia, Literatura Nacional Palavras-chave: amizades, amor, desiusão, metalingüagem, paixao, politica, reflexão, soneto
Número de páginas: 83
Peso: 173 gramas
Edição: 1(2010)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Àguas de Janeiro!!

Águas de Janeiro

Bernardo, já velho e abandonado no asilo, olhava a chuva de janeiro, seus olhos miravam numa guia de sarjeta as sujeiras que rodavam na enxurrada. Lembrava-se com alegria os momentos que passara com seu neto nas férias do ano anterior.

- Vovô, as chuvas das férias são lindas, não?

- Sim Candinho, não há adjetivos que consigam qualificá-las, muito embora as donas-de-casa não pensem assim. As locuções as condenam.

- O que são locuções, vovô?

-Um Modo especial de falar, linguagem usada pelos falantes.

- Meu pai já comprou os livros da Sétimo ano e no livro de Português está escrito Locução Adjetiva.

- É, Locução Adjetiva faz parte dos Adjetivos, lembra? Aqueles que qualificam os Substantivos?

-Sim, tranqüilamente, o Adjetivo fala da qualidade, do estado e até mesmo do lugar de origem da pessoa. Certo, Vô?

- Certo! A pessoa que nasceu na Espanha é espanhol e esta palavra é um adjetivo pátrio. Agora, Locução Adjetiva é também um adjetivo sabia?

- Meu professor não falou nada disso ainda!

- Falará neste ano, mas eu vou te adiantar algumas coisas para você, se te interessar é claro!

- Claro, Vô! Meu pai diz sempre diz que aprender nunca é demais.

- Locução Adjetiva é um adjetivo com mais de uma palavra.

- Como assim?

- Por exemplo: Amor de mãe, amor entre irmãos, amor de pai, são locuções, pois estão qualificando o tipo de amor sentido, portanto são adjetivos compostos de duas palavras! E tem mais ainda, poderão ser até de mais de duas palavras.

- Mas, Vô! Se tem função de adjetivos, posso então, transformar a locução em adjetivos?

-Claro que pode! Porém, algumas sim, outras não. Vejamos o exemplo que já comentamos:

Amor de mãe = amor materno

Amor de irmão = amor fraterno

Amor de pai = amor paterno.

- Sapatos sem meias, folha de papel, sacola de pano, são Locuções Adjetivas?

- Sim, claro! Os substantivos estão sendo qualificados por duas palavras. Gostei dos seus exemplos, essas locuções encaixam perfeitamente nos casos que não podem ser transformados em um adjetivo, pois não se encontram para cada um, adjetivo que corresponda.

- Sabe Vô! O Senhor é tão inteligente quanto o meu professor!

- Obrigado meu neto, você acaba de usar o grau do adjetivo! Você usou o grau comparativo de igualdade.

- Nem sabia que ele tinha grau!!

- Então você é menos inteligente que a sua irmã!

- Pô! Agora você pisou na bola comigo, vovô!

- É só um exemplo do grau de inferioridade.

- Eu sabia que era um pequeno exemplo. Eu sou inteligentíssimo!!!!

- Agora você usou um adjetivo superlativo absoluto.

- Nossa Vô! Esse negócio não tem fim!

- Não tem! São como as Chuvas de Janeiro... É como a Solidão do asilo... é um estar Sozinho com as pessoas...

Uma lágrima rolou do rosto do velho, misturou-se com os pingos da chuva e seguiu na enxurrada à procura e à espera do neto. Filhos, parecia não tê-los.
(Santiago Derin)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Estoque vazio !!

Estoque vazio

Um homem obeso, de estatura mediana, aparentado uma certa preocupação, o que é normal aos populares nos dias de hoje, entrou numa loja e foi logo pedindo:
- Eu quero um adjunto.
- De que tipo senhor? - respondeu solícito o vendedor.
- Ora , mas tem mais de um tipo?
- Perdão senhor, mas agora temos de dois tipos.
- Mais essa! Já inventaram outro tipo!?
- Pois é senhor, a língua tem evoluído muito...
- Evoluído!? Tem é atrapalhado muito a vida da gente! Dê-me logo um.
- Perdão senhor, eu preciso saber qual, do contrário acabo vendendo uma mercadoria errada ao senhor, aí vem as reclamações, eu acabo perdendo meu emprego e o senhor sabe, nos dias de hoje, não está fácil arrumar outro..
- Está bem, esta bem! Quais são os tipos?
- Bom, temos o Adjunto Adnominal, que é aquele que é muito usado para caracterizar ou determinar os substantivos.
- E é bom?
- Muito! Na análise sintática, existem várias peças morfológicas que fazem de adjunto adnominal tais como: artigo, numerais, pronomes e adjetivos.
- Puxa, eu não imaginava que essa área tinha evoluído tanto! O senhor pode me mostrar um?
- Claro, veja esta frase: “VOCÊ É MEU GRANDE AMIGO.”...
- Eta frasezinha sem graça, sem originalidade!
- É verdade, mas é a única amostra que temos nesse momento, o autor, quer dizer, o produtor anda meio cansado .
- Está bem , continue .
- Então , como o senhor pode observar , a palavra grifada nesta frase ,”GRANDE” , é um adjetivo mas na análise sintática , tem a função de adjunto adnominal , pois está caracterizando um substantivo , “AMIGO” .
A marca ADNOMINAL , vem da palavra “nome” , que é como chamamos um substantivo na gramática .
-Parece mesmo um bom material . Pode embrulhar , vou levar esse !
- Mas o senhor não quer ver o outro ?
- O senhor não disse que este é muito bom !?
- Disse mas é minha função, ou melhor, é minha obrigação mostrar todos os tipos que temos na loja, do contrário, o cavalheiro leva esse, acaba não gostando , e ai vem as reclamações e ...
-Já sei , já sei ! Aí o senhor perde o emprego e tá... tá...tá...tá, já conheço bem todos os discursos . Vamos lá mostre - me o outro .
- O outro é o ADJUNTO ADVERBIAL...
-Este eu conheço! É adverbial porque está em função do verbo da oração!
- Exatamente , e quem exerce essa função , na análise sintática , são os advérbios . Quer ver a amostra?
- Não é sua função mostrar-me ?
- Sim, claro !
- Então manda !
- Veja , essa amostra de frase: “O BALÃO CAÍA LENTAMENTE “.
- Nossa , essa amostra está horrível, pior que a outra . Acho que está na hora de aposentar este autor, ou melhor , este produtor!
- Para o senhor ver , hoje em dia qualquer um escreve , quer dizer , produz! Que saudades dos velhos tempos!
- Mas vá lá! Explique -me como funciona.
- É o seguinte , o senhor está vendo a palavra grifada?
- Sim , “LENTAMENTE”.
- Então , essa palavra , na morfologia , é um advérbio , mas na analise
sintática é um adjunto adverbial , pois está função de modificar o verbo “CAIR” .
- Parece ser muito bom também!
- Excelente!
- Então vou levar um de cada, pode embrulhar!
- Não temos!
- Como não tem!?
- Só amostras!
- O senhor me faz perder todo esse tempo aqui, me confunde com os tipos de adjuntos e no final diz que não tem!!!
- É que está é a minha função, o senhor entende, se eu não explico os tipos com os quais trabalhamos, vêm as reclam...
- Ora, pois passe bem!!!
- Espere, o senhor não quer dar uma olhadinha num “Aposto”..? Mas que gente apressada!

( JOÃO CARLOS DE MENEZES)

Uma indefinição bem aceita !!

Uma indefinição bem aceita

Ouvindo a buzina do carro, terminou de se arrumar depressa e desceu as escadas correndo. Ao passar pela sala, feito um foguete, a mãe a parou:
- Onde a senhora pensa que vai?
- Vou sair, mamãe!
- Posso saber com quem?
- Com alguém, é claro.
- Minha filha, a época que fiz a 6ª série, eu aprendi que, alguém é um pronome indefinido, aqueles que refere-se sempre a uma terceira pessoa de modo muito vago, impreciso, portanto que não diz nada. Seria possível você dar uma resposta mais concreta?
- Ora mamãe , vou sair , com turma toda .
- Continua indefinido , inclusive a palavra toda. Não diz nada.
- Que coisa ! Como é chato ter mãe que é professora de português!
- Chato ou não , ainda quero saber com quem você vai sair e onde vai ?
- Já falei ,vou sair com alguns amigos a vamos a algum lugar.
- Quer parar de me enrolar com essa indefinição toda , alguns ,algum ! Se não responder corretamente ,não sai e isto está definido.
A moça , vendo que não tinha jeito , resolveu se explicar melhor , apesar da raiva que estava sentindo.
-Está bem , mamãe. Vou sair com o Ricardinho .
- Aquele que é filho de um médico famoso , que passou outro dia na TV, falando sobre um congresso que presidiu na Alemanha? Perguntou a mãe com os olhos arregalados.
- Este mesmo ,mamãe .
- Dizem que são muito ricos.
- Ricos não mamãe, são milionários. Posso ir agora, mãe ?
- Claro, filhinha ! Vai sim não deixe o rapaz esperando tanto tempo Ah! só mais uma perguntinha filha onde vocês vão ?
- A um lugar qualquer , mamãe !
- Qualquer ?
- É qualquer, mãe. Tchau ! - e sai apressadamente
- Nada como uma resposta bem definida .
(JOÃO CARLOS DE MENEZES )

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Situação crônica!!

Situação crônica

- Outra vez não!!

Esta foi a exclamação do dono do bar ao ver dois indivíduos entrando no estabelecimento. Fiquei surpreso com a atitude, pois os dois fregueses não aparentavam ser problemas. Eram duas horas da manhã quando chegaram. Não percebi também alguma mudança na face do proprietário da casa. Sentaram-se os dois. O garçom foi atendê-los:

- Pois não!

- Dois uísques! Um com gelo e o outro sem...

- Quem são os dois? – perguntei ao garçom.

- Dois escritores. – Respondeu secamente.

Apesar da resposta do funcionário, senti-me a vontade, pois cronista documentado e sem assunto e com necessidade de escrever para o jornal obrigaram-me a perambular pelas ruas em busca de motivos. Não contive o ímpeto de me relacionar com eles, porém ao ver o aviso na parede do bar:

“ Aqui reúnem-se escritores de todos os gêneros literários, mas somente depois da briga”.

Segurei o ímpeto no ímpeto. Calculei ser os dois a razão do cartaz. O dono do bar, bigodudo e de traços luso, percebeu o meu comprtamento e indagou:

- Conhece os dois ali?

- Não!

- Na vez passada, os dois sentaram-se no mesmo lugar e a mesma hora. Trocaram algumas teorias literárias e mais tarde alguns sopapos que nem mesmo as estruturas literárias os suportaram – Dizia o português com um ar de preocupação – essas atitudes pegam mal para um estabelecimento comercial!

Indiferentes ao dono do bar, os dois bebiam tranquilamente, apesar de já chegarem meio de pileque de um outro boteco, segundo constatei depois. Então desenrolou a conversa ou melhor a discussão:

- Agora eu estou escrevendo crõnica!

- Já fracassou no romance e vai fracassar na crônica!

- Deixe de ser despeitado! Só porque você não sabe escrever contos, já pensa que todos são incapazes!

- Não revire defunto adormecido! Você nem sabe o que é crônica!!

- Como não! A Crônica oscila, pois , entre a reportagem e a literatura, entre o relato impessoal, frio, descolorido de um acontecimento trivial e a recriação do cotidiano por meio da fantasia!

Respondeu com pompas , como se as palavras de Massaud Moisés fossem suas.

- Você é um equilibrista do cotidiano...

Afirmou o outro com desdém.

- Exatamente! – Sem titubear concordou o outro – Sou um equilibrista do cotidiano, porque um cronista faz o que quer! Inclusive uma crítica de um filme, de uma peça teatral , de um livro de arte...

- Eu disse equilibrista de um copo de uísque e não equilibrista da crônica!

- Você em outras palavaras está querendo dizer que eu sou um alcoólatra contumaz!

- Não! De jeito nenhum! Eu estou apenas falando que equilibrando copos, não vai sobrar tempo para você escrever.

- Ora, você é um ciumento mesmo!

- E você, quantos livros já escreveu? E quantos foram publicados?

- Tenho oito livros adormecendo em meu computador para serem levados para editora na hora certa!!!

- Depois de morto...

- Ah...

- Nada!

- Ainda bem... A crônica é um gênero literário com vida curta, dura apenas o tempo de uso do jornal, um dia...

- No seu caso durará segundos! O leitor ao ler o primeiro parágrafo pensará e desistirá!!

- Ultimamente a crônica tem merecido a atenção não só porque apresenta qualidades literárias , como busca a perenidade do livro, é o caso de Rubens Braga , Fernando Sabino, Sergio Porto, este com o famoso codinome Stanislaw Ponte Preta, que você muito conhece, Luis Fernando Verísimo e por aí vai...

- E, presumo, você agora!

- Ignorante como voce é, merece saber que há vários tipos de crônicas: A narrativa cujo eixo é a história o que a aproxima do conto. Um outro exemplo é a crônica metafísica construída de reflexões mais ou menos filosóficas...

- Que interessante! Ele joga com as palavras dos teóricos! Agora tá fazendo suas as palavras de Flore Bender e Ilka Laurito.

- Crônica-poema-em-prosa de conteúdo lírico, mero estravasamento da alma do artista ante ao espetáculo da vida! Há também a crônica comentário dos acontecimentos!

- Ah! A crônica dos ineptos!

O dono do estabelecimento já inquieto, prevendo uma nova confusão, sentiu um vislumbramento, resolveu me apresentar aos dois. Segundo ele, eu poderia minimizar as diferenças entre eles, afinal eu também era escritor.

Por que é que eu fui dizer ao português que era cronista? Também era só o que poderia acontecer numa madrugada sem assunto, arrumar assunto com dois bêbados! Pensando bem, acabara de achar um motivo para uma crônica! Ruminei esses pensamentos e entrei na conversa:

- Não pude resistir a ouvir a conversa de vocês e ao prazer de participar dessa mesa redonda!

- Olha, meu senhor, a mesa aqui não é redonda conforme o senhor pode ver!!

Disse um deles com um olhar de reprovação. Em seguida repliquei:

- Fiquem tranqüilos... o que eu ouvi dos dois me deixou muto contente, pois há horas que estou andando preocupado buscando uma conversa, um assunto e vocês aqui transbordando conhecimento sobre crônica, foi o que me chamou a atenção!

- Então você acha que eu tenho valor enquanto escritor? – Idagou um deles.

- Não conheço os seus escritos , porém pelos conhecimentos teóricos que eu ouvi, acredito que sim!

- Eu já escrevi um conto, será que o senhor não daria uma olhadinha e, quem sabe, um empurrãozinho...

- Só se for para o abismo – ironizou o outro.

- Se vocês pararem com a discussão, eu prometo uma coisa aos dois!

Prontamente concordaram movimentando a cabeça positivamente, o que fez abrir um sorriso enorme nos lábios do dono do bar. Continuei a dizer:

- Eu vinha de não sei onde e de um sonho depertei ansioso no meio da noite sem lua quando vocês dois me tiraram da agonia, dando um motivo para a minha crônica!

- Você escreveu agora a crônica!?

Quase que uníssonos e com as mesmas palaras indagaram os dois.

- Exatamente vocês dois são as personagens.

- Então nós dois somos as personagens da sua crônica?... Que você escreveu ... Agora?

- Claro! O cronista é livre para escrever o que quiser, é escravo do papel a ser preenchido. Eu sentei-me ali naquele naquele banco em frente ao balcão e fiquei olhando para vocês e de vocês emanou o texto.

Os dois se olharam, Observara-me , fizeram um sinal para o garçom e um deles finalizou:

- Vamos embora companheiro que este cronista é muito inferior a nós.
(Santiago Derin)